Verbo
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A galeria Vermelho criou a mostra de performance arte VERBO, em 2005, porque para muitos de seus artistas lidar com o corpo é essencial.

Foi nesse mesmo ano que Marina Abramovic organizou "Seven Easy Pieces". Mostra no Guggenheim de Nova York, na qual a artista reencenou obras de Bruce Nauman, Vito Acconci, Valie Export, Joseph Beuys e dela mesma. "Seven Easy Pieces" abriu as portas para a reencenação no campo da performance. A discussão levou Abramovic para o MoMA, em 2010, com "A Artista está Presente", alcançando reconhecimento muito além do circuito da arte, que já a reverenciava.

Não por acaso, na mesma época, outros eventos sugiram com a mesma temática, como a PERFORMA, mostra bienal dirigida pela estudiosa da arte da ação RoseLee Goldberg, em 2005, em Nova York. A cada dois anos, a Performa promove um programa de ações em varias localidades da cidade, durante todo um mês.

Esses são apenas dois exemplos entre tantos outros de festivais, cursos e eventos ligados ao corpo surgidos no início do século 21. Em comum, todos eles buscaram renovar o campo da arte, tratando de questões essenciais, e, por isso, o corpo reverbera como o melhor instrumento.

Quando criamos a VERBO, sabíamos que um programa ligado à performance arte dentro de uma galeria comercial deveria, necessariamente, criar instrumentos não apenas de financiamento para a pesquisa de artistas ligados a essa linguagem, mas também, garantir a divulgação e inserção dessas obras no cenário da arte atual.

Com isso em mente, a VERBO tornou-se um evento anual dedicado à performance arte, constituindo-se como um campo de experimentação para artistas brasileiros e estrangeiros ligados a essa linguagem.

Após quinze edições, a VERBO já apresentou mais de 300 ações de mais de 500 artistas que tiveram na mostra um espaço aberto, onde o público sempre teve acesso gratuito. Durante esses anos, entendemos que o espaço da VERBO é o do encontro, do intercâmbio de ideias e de troca. A lei que rege essas dinâmicas não é, entretanto, a da fusão, mas do entendimento da diversidade, onde a heterogeneidade de superfícies estimula novas conexões e encontros. Uma forma de rede em termos de contato, pois persistimos num projeto em que diferenças imutáveis, porém manejáveis, produzem novas configurações de trabalho.

Marcos Gallon
Diretor Artístico VERBO