Verbo
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VERBO 2013


Galeria Vermelho

A Galeria Vermelho apresenta, nos dias 12 e 13 de novembro, 2013, a 9ª edição da mostra de performance arte VERBO, que apresenta uma seleção de projetos recebidos durante 2013. Participam da 9ª edição os artistas Felipe Bittencourt [SP], Vivian Caccuri [RJ], Felipe Cidade [SP], Hyperpotamus [Espanha], Pedro Moraes [RJ], Luisa Mota [Portugal], Guilherme Peters [SP], Celina Portella [RJ], e Fabíola Tasca [MG].

Sem fins lucrativos, o objetivo da mostra VERBO, criada em 2005 pela galeria Vermelho, é apresentar anualmente um panorama da criações de artistas brasileiros e estrangeiros no campo da performance. Como já ocorre desde a terceira edição da mostra, em 2007, o recorte curatorial da 9ª edição da VERBO surgiu a partir da análise das mais de 170 propostas recebidas durante o ano de 2013. A crítica ao sistema social, político e econômico que detonou manifestações populares nas principais cidades do país, e do mundo, dá o tom para essa edição da VERBO.

“Empata Arte” [2013], de Felipe Cidade, faz referência à uma estratégia criada pelo sindicalista e ativista Chico Mendes, cujo objetivo era tentar conter o desmatamento das florestas no Acre. A ação, mistura entre pacifismo e belicismo, previa a criação de uma barreira feita com os corpos de homens, mulheres e crianças. Procedimento semelhante, embora nem sempre pacifista, é usado pelos batalhões da polícia em confrontos com manifestantes em todo o mundo.

O “Empata Arte” de Cidade se apropria desse procedimento criando uma corrente com mais de 80 pessoas ao redor do prédio principal da Vermelho. Com seus corpos, eles impedirão, durante a duração da performance, o acesso ao prédio onde estarão acontecendo outras ações. Inserida no espaço privado da galeria, a ação de Cidade representa uma crítica ao circuito fechado e protegido da arte atual, no qual a informação é difundida no próprio circuito, se autoalimentando.

Ação criada por Pedro Moraes, “Não existe resposta certa, se não existe pergunta (A Esfinge)” [2012] apresenta um trompetista que aguarda a chegada do observador no espaço expositivo. Quando isso acontece, ele toca um efeito sonoro conhecido como “sad trombone”, efeito comumente usado em desenhos animados para indicar fracasso. Num certo sentido, a ação se refere à ideia de que o embate com a arte precisa ser frustrante para ser produtivo, uma espécie de convite ao engajamento, ao invés de simplesmente um convite a contemplação do belo.

Vivian Caccuri, que participou da ultima edição da VERBO, em 2012, retorna à mostra com “Quadro Maior" [2013], uma composição feita a partir da captação de sons de objetos que, ao longo da performance, se transformarão numa natureza morta. Com um microfone, uma câmera VHS e um programa que espalha o som pelo espaço, a artista combina as diferentes temporalidades sugeridas pelos sons dos objetos a trechos do disco Balbec, obra épica que inspira o trabalho.

Hyperpotamus (Jorge Ramirez-Escudero) é um artista “multi-vocal” de Madri que, usando apenas sua propria voz, microfones e loops de pedais, cria sonoridades. Seu local de criação é a rua. Após participar de várias bandas, o artista decidiu seguir carreira solo. Várias de suas composições foram criadas em estações de metrô de Madri. Após lançar seu primeiro album, Largo Bailón, em 2009, Hyperpotamus continuou a realizar concertos em locais inusitados, como às margens do rio Danúbio, em apartamentos ocupados de Berlim, em floriculturas de Paris, em restaurantes no Chile, na Casa do Povo de Bratislava, Eslováquia, no Palácio de Ceaucescu em Bucareste, em igrejas de Belfast, abrigos para idosos de Bilbao, ou na entrada do palácio de Stalin, em Varsóvia. A participação do Hyperpotamus na Verbo 2013 conta com o apoio da Embaixada da Espanha no Brasil.

Sobre uma parede de blocos de concreto lê-se: em uma sociedade que aboliu todo tipo de aventura, a única aventura que sobrou é abolir essa mesma sociedade. Em “Bail 1” [2012], o corpo de Guilherme Peters é projetado no ar, executando uma manobra chamada no mundo do skate de wallride. Bail 1 faz um comentário acerca do fim das ideologias.

A portuguesa Luisa Mota, acompanhada de um grupo de voluntários, realizará em “I believe in good things coming” uma procissão pelas ruas da cidade. Todos os participantes da procissão, incluindo a própria artista, vestirão roupas feitas com tecido reflexivo que transforma esses personagens em “homens invisíveis”.

Em “Audiência Pública” [2013-2014], Fabíola Tasca se apropria do conteúdo discursivo das vanguardas do século XX, para criar um comentário sobre o que continua audível na atualidade. Uma atualização possível para essa retórica discursiva apontaria necessariamente para a ideia de fracasso das ambições modernas em articular arte e vida, e apontam para a questão: Os apelos que se fazem presentes nos inúmeros manifestos fazem algum sentido hoje?

Em “Lições para pessoas e coisas” [2011] Felipe Bittencourt realiza uma série de ações com um animal de pelúcia e, em seguida, as replica com seu próprio corpo, buscando a fusão das duas identidades. A performance rompe com a previsibilidade da ação replicada no corpo do artista quando se torna violenta e agressiva.

“Nós” [2011], de Celina Portella, é uma ação entre o corpo e seus múltiplos projetados em escala real. A interação entre corpo e imagem gera composições simples e dinâmicas e resultam em movimentações variadas entre os “personagens”. Trata-se de uma ação entre cinco corpos. Ao vivo, a intérprete busca se relacionar com seus múltiplos, completando as composições coreográficas sugeridas pelos corpos que aparecem no vídeo, ora ocupando espaços vazios, ora se sobrepondo aos corpos em movimentações mais ou menos amplas e precisas.