Exposies

Impertinência Capital

DE 24/02/2015 - 21/03/2015 A

 

(2015)

Marco Paulo Rolla mostra sua produção recente na individual Impertinência Capital. A mostra reflete a pesquisa multidisciplinar do artista, apresentando pinturas, desenhos, esculturas e performances feitas para a câmera de vídeo.
Na sala 1 da galeria, a série Esvaziamento Cotidiano se organiza em 6 pinturas em acrílica sobre telas de grandes dimensões. Dramas cotidianos e tensão entre indivíduos dão a tônica das situações representadas, como no opulento cinema particular retratado em Home Theater, em que a cantora que ocupa a tela de projeção aparece muda diante do microfone a sua frente.
No segundo andar, a série Desenhos Brancos (que junto às pinturas de Esvaziamento Cotidiano forma a família de trabalhos Dramas) é toda executada em lápis e pastel seco branco sobre papel bege. As situações representadas nessa série são todas oriundas de imagens apropriadas de meios de comunicação como revistas e jornais e, assim, partem diretamente de cenas apresentadas pela mídia. A própria técnica dos desenhos remete às fantasmagorias, cuja origem está nas imagens produzidas pelas chamadas lanternas mágicas, antecessoras dos modernos aparelhos de projeção. Essas imagens ganhavam aspecto fantasmagórico por conta de sua projeção em nuvens de fumaça. Walter Benjamin, fascinado por essa tecnologia, usa fantasmagoria como termo para aproximá-la do conceito de fetichismo da mercadoria de Karl Marx, assinalando a universalidade do fenômeno do fetichismo como característica central da modernidade.
Cinco monitores e projeções espalhados pelo espaço expositivo mostram a ação desenvolvida para a câmera de vídeo Homens de Preto. Figuras trajando máscaras e ternos pretos batem incessantemente à máquina de escrever, gerando uma instalação ao mesmo tempo imagética e sonora, em que o artista fala de um modelo de obsolescência. Esses homens parecem trabalhar incansavelmente para extrair algo desses equipamentos, porém o único resultado de sua ação é a falência repentina dos próprios personagens que, cansados de seus movimentos repetitivos, caem em decesso momentâneo para em seguida voltar à ação.
Completam a exposição as esculturas Discurso Interrompido e Discurso Fechado, ambas feitas em pedra sabão, em que microfones se misturam à materialidade da pedra, falando sobre a inercia do discurso contemporâneo.