Exposies

Rosângela Rennó

DE 22/08/2014 - 13/09/2014 A

 

(2014)

Rosângela Rennó (51) apresenta na individual, três novos trabalhos ainda inéditos no Brasil.

Composta por seis impressões digitais sobre organza de seda pura, a série Insólidos (2014) foi criada a partir de quatro imagens. Na série, Rennó dá continuidade à sua pesquisa acerca do aspecto insólito das fotografias familiares (que em 2005 gerou a série Frutos Estranhos), enfatizando a noção de como a percepção das imagens é alterada quando adequadas a suportes diferentes e inusitados.

Insólidos revela imagens de locais misteriosos ou de ações curiosas impressas sobre várias camadas de organza de seda pura, gerando, por meio da sobreposição, um efeito tridimensional. A artista investe no jogo entre transparência e opacidade, entre a superfície plana da fotografia tradicional/analógica e o ‘corpo fotográfico’, hoje, em tempos digitais, desprovido de volume.
Na série Operação Aranhas/Arapongas/Arapucas, 12 tripticos são formados a partir da associação de imagens realizadas por três fotógrafos diferentes, em épocas e eventos específicos. Doze fotografias foram realizadas por José Inacio Parente durante a Passeata dos Cem mil, no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968. Rennó participa com doze imagens feitas durante o Comício das Diretas Já, em Belo Horizonte, em 24 de fevereiro de 1984. As últimas doze foram realizadas pela Cia de Foto, durante o Movimento Passe Livre, em São Paulo nos dias 17 e 20 de junho de 2013.
A partir de três momentos históricos, A passeata dos Cem mil (1968), o movimento pelas Diretas Já (1984) e o Movimento Passe Livre (2013), a nova série aborda questões relacionadas com eventos de massa. como o que faz uma multidão mudar o mundo, ou, ao menos, parte de suas histórias? O que a transforma numa enchente que tudo carrega e arrasta, sem medir sua própria força? O que a torna um monstro incontornável, capaz de atormentar até mesmo o algoz mais inescrupuloso? As massas são constituídas de centenas, milhares ou milhões de indivíduos que, em geral, não representam grande perigo ao sistema quando isolados. Entretanto, para nossa sorte ou nosso azar, cada um deles carrega um fragmento importante da corrente do DNA do monstro, que se perde ou se recupera em outro ponto da cadeia, perpetuando seu dinamismo e mantendo-o sempre na flor da idade. Terrível e maravilhoso.
Cada foto será recoberta por uma folha de papel de seda com relevo seco — do gênero tradicional de entrefolhamento de álbuns de fotografia antigos — e associada a duas outras imagens, realizadas nos dois outros eventos envolvidos na série. Lentes de câmera e filtros deixarão entrever rostos na multidão.
A obra criada para a exposição individual de Rennó no Centro de Fotografia (CdF), de Montevidéu (Uruguai), em 2011, intitulada Río-Montevideo apresenta, em 14 projetores de slide, imagens de fotográfo Aurelio Gonzalez, entre 1957 e 1973.
Em 1973, com a eminente chegada do Golpe Militar, no Uruguai, Gonzalez escondeu mais de 40.000 negativos fotográficos criados por ele para o Jornal El Popular, entre as lajes de um edificio de Montevideo.
Por mais de 33 anos esse material ficou escondido até que foram encontrados e, finalmente recuperados pelo mesmo fotógrafo, em 2006. Submetidos a um longo processo de restauro, classificação e digitalização pelo Núcleo de Fotografia de Montevidéu, esses negativos revelam uma certa “amnésia construída” que permeia a história recente de vários países da América Latina. Rennó optou por apresentar uma pequena seleção dessas imagens por meio das objetivas dos projetores de slides antigos, que acrescentam uma suavidade cálida, enevoada às imagens. Nesse caso, os projetores são usados de forma a reintroduzir estas imagens na atualidade de uma maneira mais lúdica pois estabelecem uma ligação direta com o passado, mantendo seu significado simbólico, sem, no entanto, amarrá-las à tradição do documentário.
Além das projeções, ativadas pelo próprio observador, a instalação é ambientada com o som da famosa composição da Internacional Comunista.