Exposies

Andreas fogarasi - 1988

DE 21/01/2014 - 01/03/2014 A

 

(2014)

Andreas Fogarasi é um artista austro-húngaro
nascido em Viena [Áustria] em 1977. Em 2007, Fogarasi
foi premiado com o Leão de Ouro na 52ª Bienal de
Veneza (2007). Fogarasi é graduado em arquitetura
e Artes Visuais na Academy of Fine Arts de Viena e é
um dos fundadores da revista dérive. Zeitschrift für
Stadtforschung.

Em suas obras, Fogarasi utiliza estratégias de exibição
que são reminiscências do minimalismo e da arte
conceitual para explorar questões acerca do espaço e
da representação. “1988”, título escolhido por ele para
a individual na Vermelho, faz alusão às várias mudanças
políticas ocorridas no final dos anos 1980, bem como
a outras manifestações urbanas menos visíveis que
aconteceram nas últimas décadas.

A obra de Fogarasi aborda temas como arquitetura,
economização das cidades e culturalização dos
espaços públicos, (des) construindo por meio de vários
procedimentos a idéia de cidade nos países europeus.
Seus trabalhos conjugam diferentes expectativas e
demandas relacionadas ao espaço urbano, apontando
para o comprometimento do artista com a arquitetura do
espaço.

Como em outras cidades do globo, as transformações
ocorridas no espaço urbano a partir da década de
1990, em São Paulo, apontam, segundo a curadora da
mostra, não apenas para o fenômeno de gentrificação,
mas também para a prática de apropriação do espaço
urbano como instrumento de cidadania, oposto à lógica
capitalista. Na exposição, Fogarasi descontrói essa lógica
e pergunta como devemos entender as ruas, as praças,
as casas, as cidades, a construção e a materialidade
do cotidiano. Como se dá a construção da subjetividade
nesse meio? Qual o futuro dos grandes projetos
arquitetônicos em oposição aos ícones da modernidade
tardia, como a Casa de Vidro de Lina Bo Bardi [São
Paulo], ou a Casa Barragán de Luis Barragán [Cidade do
México]?

Primeira individual de Fogarasi no Brasil, “1988”
apresenta a série de fotos “Mirrors” (2014), criada
especialmente para a exposição, e inclui também as
instalações “North American International Auto Show”
(2012), “Postcards” (Verde Guatemala / Sem título)
(2012-2014), além do filme “Folkemuseum” (2010).

No filme “Folkemuseum”, que empresta seu título do
museu norueguês localizado em Oslo, visitantes da
instituição dividem a projeção com perguntas propostas
pelo artista, como Should I bring my own actor (Devo
trazer meu próprio artista?). O filme apresenta várias
questões, como a história do museu norueguês, a
paisagem urbana que o rodeia e a cidade norueguesa por
meio de uma coleção de 155 edificações que ocupam uma
área de 140.000 m², em Oslo.

Já em “Mirrors” e “North American International Auto
Show”, Fogarasi apresenta imagens de importantes
projetos arquitetônicos inacabados ou em processo
de deteriorização. As imagens criam um jogo com a
fotografia arquitetônica convencional, em que o carro,
símbolo do capitalismo no século 20, aparece como antiherói,
apontando para a falência do projeto econômico
Fordista, que conduziu à decadencia de cidades cujas
economias estavam baseadas na indústria de automóveis,
como Detroit.

Como nenhuma outra cidade do mundo, Detroit representa
o fim de uma era econômica. Ao mesmo tempo, ela surge
também como exemplo de alternativa para a vida nas
grandes cidades que vai além da eficiência econômica
calculada, como novas formas de comunicação e de
projetos autogeridos.

1988 sugere ao visitante várias questões, como o que
caracteriza a identidade da cidade nos dias de hoje, a
paisagem ou a arquitetura? Como podemos devemos
enxergá-la?