Exposies

Coletiva - Comunismo da Forma: (Som + Imagem + Tempo - A Estratégia do Vídeo Musical)

DE 20/07/2007 - 04/08/2007 A

 

Comunismo da Forma:
(Som + Imagem + Tempo - A Estratégia do Vídeo Musical)

Comunismo da Forma: Som + Imagem + Tempo - A Estratégia do Vídeo Musical propõe uma investigação das possibilidades apresentadas pelo formato do vídeo musical. Não se trata de uma mostra de videoclipes, mas de uma tentativa de discutir as possibilidades e a presença da linguagem do clipe na produção artística contemporânea. A curadoria é de Fernando Oliva e Marcelo Rezende. A abertura acontece dia 20/7, às 20h (com lançamento do livro Comunismo da Forma - Som, Imagem e Política da Arte). A exposição fica em cartaz até 4/8, na Galeria Vermelho.

Os artistas foram convidados a se apropriar da linguagem do videoclipe, estabelecendo uma relação criativa com seus três principais elementos: imagem, som (música) e tempo (duração). Segundo os curadores, apresentou-se a possibilidade de construir um diálogo com o repertório emocional e a memória do espectador. “Não se trata mais de elaborar um discurso teórico ou curatorial em torno do vídeo musical como expressão artística. O clipe se coloca agora como uma real forma de expressão dentro da indústria, se aproximando muito do cinema em sua primeira fase”, escrevem eles no texto do projeto. “Como uma mídia ‘bastarda’ da TV e do cinema, os vídeos musicais se tornaram algo mais do que um gênero: resultado de sua velocidade de produção e exibição — e o fato de ser um produto de consumo gerado e exigido pela indústria — , passaram a ser habitados por artistas capazes de vencer as limitações da mídia. O videoclipe, com a ausência de hierarquia entre o velho e o novo, o tecnológico e o artesanal, coloca em movimento todo o repertório do mundo.”
A exposição reúne uma série de trabalhos inéditos, produzidos especialmente para o projeto, a pedido dos curadores. A maioria dessas obras nunca foi exibida no Brasil, caso da nova produção dos eslovenos do Laibach; do coletivo mexicano Nuevos Ricos; da dupla inglesa Iain Forsyth & Jane Pollard; e da videoarte do cineasta tailândes Apichatpong Weerasethakul. A exibição traz ainda uma série de vídeos da suíça Pipilotti Rist, artista pioneira que se voltou para o formato do clipe no momento em que a MTV estreava nos EUA, no início da década de 1980. No total, a mostra abriga criações de cerca de 30 artistas, entre brasileiros e estrangeiros. Também produziram vídeos recentes Ricardo Carioba, Rodrigo Matheus, Sara Ramo, Naiah Mendonça e Tetine, entre outros (veja lista completa ao final deste release).

Será lançado, complementando a exposição, no dia da abertura (20/7), o livro Comunismo da Forma - Som, Imagem e Política da Arte), pela coleção Situações (Alameda Editorial), organizado pelos curadores. O volume não é um catálogo, mas uma publicação que debate os temas levantados pelo projeto por meio de ensaios e entrevistas, textos que refletem a respeito da força do império das imagens quando este se une a uma nem sempre descartável canção para criar um comentário sobre a política e a sociedade. Entre os autores que participam estão Anselm Jappe (filósofo italiano, autor de L'avant-garde inacceptable : Réflexions sur Guy Debord), Nicolas Bourriaud (curador e crítico francês, autor de Estética Relacional e Post-Production), Charity Scribner (autora de Requiem for Communism), Alexei Monroe (líder do coletivo esloveno NSK e autor de Interrogation Machine: Laibach and NSK), Earl Miller (curador canadense) e os curadores Marcelo Rezende e Fernando Oliva (com artigos e uma entrevista recente com Nicolas Bourriaud, realizada em São Paulo).
Além da exposição e do livro, faz parte de Comunismo da Forma um blog, que marcou o início do projeto e está no ar desde o início de maio no endereço http://comunismodaforma.zip.net
A seção Comunismo da Forma - Black Album foi criada com a intenção de oferecer uma alternativa aos conceitos discutidos pela curadoria. No Black Album, o público terá contato com obras que questionam, ou mesmo subvertem, a proposta curatorial, caso dos vídeos de Stuart Pound, David Blandy, Bull.Miletic e da antologia de trabalhos da artista Pipilotti Rist, sob curadoria de Lucrecia Zappi.

O curador canadense Earl Miller, radicado em Toronto, vem pessoalmente ao Brasil, por ocasião da exposição, para apresentar um programa especial de artistas do Canadá (com obras de Daniel Borins, Emelie Chhangur, Dennis Day, Tasman Richardson e do ícone pop Peaches), e participar de um debate na galeria.
Outra ações complementares do projeto
* Na abertura (20 de julho, sexta-feira, a partir das 20h), será exibida a videoescultura I Feel Love, de Marcio Banfi.
* No dia 21 de julho, às 16hs, acontece debate com o curador Earl Miller e o artista Mike Hansen (com tradução).
* No dia 21 de julho, às 18hs, acontece apresentação do projeto Müvi (Ricardo Müller Carioba+Fábio Villas Boas).
Sobre os curadores
Fernando Oliva é professor da Faculdade de Artes Plásticas da Faap e curador. Colabora com as publicações Lapiz - Revista Internacional de Arte (Espanha), Contemporary (Inglaterra) e C (Canadá). É editor do catálogo do 16º Videobrasil (2007). Concebeu e dirigiu o projeto de crítica online Bienal ETC., que veiculou entrevistas e ensaios inéditos em torno da 27ª Bienal, no site da comunidade digital Canal Contemporâneo (www.canalcontemporaneo.art.br). Foi co-curador, ao lado de José Augusto Ribeiro, da mostra VOL., centrada em questões sonoras na produção contemporânea, na Galeria Vermelho (2004).
Marcelo Rezende é escritor, curador e ensaísta. É autor do romance Arno Schmidt (Planeta, 2005) e do ensaio Ciência do Sonho - A imaginação sem fim do diretor Michel Gondry (Alameda, 2005). Criou e dirige a coleção de ensaios Situações.