Exposies

Daniel Senise

DE 23/10/2007 - 17/11/2007 A

 

Individual de Daniel Senise

Dos 123 artistas que em 1984 participaram da emblemática exposição “Como vai você, Geração 80?”, no Parque Lage, Rio de Janeiro, poucos são os que até hoje permanecem ativos e atuantes no cenário da arte contemporânea. Daniel Senise (1955), que participou da mostra ao lado de Ana Maria Tavares, Beatriz Milhazes e Mônica Nador, é um desses artistas que incorporou as transformações ocorridas no campo da arte nas últimas décadas, renovando técnicas e métodos, instrumentos de sua pintura, mantendo-a atual e vigorosa.

Desde dezembro de 2006, Daniel Senise faz parte da lista de artistas representados pela Vermelho. Segundo Gabriel Pérez-Barreiro, atual curador da Bienal do Mercosul, as obras de Senise revelam uma “grande preocupação com a pintura”. Senise constrói suas telas por meio de procedimentos e técnicas, nos quais, frequentemente, incorpora elementos extraídos de seu ateliê, em cujo piso ele estende a superfície das telas para que acumulem sujeira, pó e resíduos, que, posteriormente, passam a fazer parte do padrão geral e da elaboração da obra.

Para tratar dos espaços intermediários entre as pessoas, coisas e eventos, objetivo inicial de Senise na atual seleção de trabalhos na Vermelho, o artista parte do espaço tangível que o rodeia, apresentando arquiteturas incertas que se apropriam de interiores desolados de edifícios abandonados. É o que se vê, por exemplo, na obra “Soft and Hard” (2007), imensa tela de 250 x 465cm, que ocupará parte do andar térreo da galeria. Na obra, Senise cria um espaço fictício que não apenas tem a arquitetura como referência mas que retira dela parte dos elementos que passam a constituir a materialidade da obra. Além de “Soft and Hard” serão apresentadas outras três monotipias, “Ici et Ailleurs”, “Pavda” e “Numero Deux” da mesma série; “Sala de TV” aquarela composta por 1.484 partes, e três colagens, todos trabalhos de 2007.

Segundo o historiador português Bernardo Pinto de Almeida, os procedimentos usados por Senise em suas novas obras provocam no observador uma vertigem do visível causando a sensação de havermos chegado um pouco depois, ou ainda, antes do verdadeiro acontecimento. Nesse sentido, as pinturas de Senise remetem ao espaço do devir e configuram campos que constituem revelações momentâneas que conectam duas realidades distintas. Para Almeida, um acontecimento é a coincidência de um tempo com um espaço, a pintura de Daniel Senise opera no campo da dês-coincidência, apresentando-se como um não-acontecimento, como um gesto sutil, imperceptível, que ameaça a ordem do visível.