Exposies

Superflex - Free Beer

DE 27/11/2007 - 22/12/2007 A

 

A Galeria Vermelho apresenta a exposição FREE BEER primeira individual, no Brasil, do coletivo dinamarquês SUPERFLEX, que polemizou a 27a Bienal de São Paulo, no ano passado.

Em 2006, o SUPERFLEX foi convidado pela equipe curatorial da 27a Bienal de São Paulo para apresentar o projeto GUARANÁ POWER, resultado de uma combinação de idéias e estratégias econômicas, desenvolvidas em conjunto com a COAIMA (Cooperativa de Agricultores da Região de Maués), no Amazonas. Ambicioso, o projeto pretendia criar melhores condições de comercialização da fruta, fato que afrontou a maior corporação que monopoliza grande parte da colheita da fruta e a patente do GUARANÁ, e impossibilitou o grupo de utilizar o nome no rótulo do produto.

Um mês antes da abertura da Bienal, o SUPERFLEX recebeu um comunicado do presidente da Fundação informando que a obra não poderia ser apresentada na exposição “por não ser considerada uma atividade artística”. Impossibilitado de levar o projeto adiante, o grupo apresentou uma nova proposta à comissão curatorial, e, paralelamente, produziu uma nova versão do GUARANÁ POWER, apresentado na Vermelho com o nome do produto coberto por uma faixa negra.

O SUPERFLEX foi criado em 1993 pelos artistas Bjørnstjerne Reuter Christiansen (1969), Jakob Fenger (1968), e Rasmus Nielsen (1969), e é um dos mais representativos coletivos surgidos nos anos 1990, que estabeleceu seu posicionamento crítico nas frestas da economia globalizada. Apropriando-se de produtos altamente difundidos, o SUPERFLEX contribui, como afirma o crítico francês Nicolas Bourriaud, “para abolir a distinção tradicional entre produção e consumo, criação e cópia, ready-made e obra original”. Com esse tipo de procedimento, o grupo rompe com as noções modernistas de inovação e originalidade, desestabilizando as práticas artísticas tradicionais baseadas na idéia do novo, estabelecendo formas de produção em que a obra representa ao mesmo tempo um suporte, uma ferramenta e um produto.

Agora, o SUPERFLEX retorna à Vermelho com a exposição FREE BEER, projeto que abre a fórmula da bebida e aborda as estratégias e dinâmicas econômicas que regem a sociedade. O nome do projeto, concebido em colaboração com estudantes da Universidade de Copenhague, foi extraído de uma frase do guru do Software Livre, o norte-americano Richard Stallman, “free as in free speech, not as in free beer”, e está associada à idéia do software livre como liberdade de expressão aplicada a um produto real.

A receita original da FREE BEER utiliza a fórmula clássica da bebida e aparece impressa no rótulo do produto, para que qualquer pessoa possa produzi-la, agregando elementos distintos à receita original e criando sua própria versão. A versão atualizada, entretanto, deve ser divulgada e publicada sob licença original do produto no Creative Commons (Atribuição-Compartilhamento da mesma licença 2.5). Ao utilizar um produto fabricado em grande escala, o SUPERFLEX transporta para a esfera da arte um procedimento capitalista de produção em série, agregando elementos da iconografia popular, descontextualizando o objeto de sua esfera tradicional.

A versão 3.4 da FREE BEER apresentada na Vermelho, foi adaptada pelo mestre cervejeiro Arnaldo Ribeiro da Cervejaria Germânia, empresa que, além de produzir bebida, também fará a distribuição do produto.

A associação entre a Germânia e SUPERFLEX atinge um dos objetivos centrais do projeto, pois cria um negócio aberto, que, a partir de um produto real, questiona o sistema de direito autoral, em relação a propriedade intelectual.

Na exposição será apresentada também uma série de nove maquinas chamadas pelo grupo de “Counter-game strategies”. No formato de jogos, as regras das máquinas, que serão dispostas junto à elas, simulam procedimentos do sistema sócio-econômico, como produção e distribuição, competitividade, colaboração, ganho e lucratividade. Essas máquinas estarão espalhadas pela galeria e os visitantes poderão manipulá-las livremente.