Exposies

DE 17/11/2004 - 11/12/2004 A

 

Vol.

José Augusto Ribeiro e Fernando Oliva

As possibilidades de inter-relação entre a música e as artes visuais, de ambas as perspectivas, são várias. Só a produção artística no Brasil dos últimos 50 anos já é pródiga de exemplos. Do lado da música, poderiam figurar, numa listagem curta e rápida, os instrumentos criados com rigor e qualidade escultóricos (por Walter Smetak, Marco Antônio Guimarães, O Grivo); a elaboração de novos signos gráficos e objetuais para a notação musical (respectivamente, Gilberto Mendes e Hans Joachim Koellreuter); além do uso corrente de expressões como “paisagem” ou “instalação” sonora para se referir às dimensões exploradas pela “espacialização” do som.

No campo da arte, coexistem os trabalhos que são representações da música (Waltercio Caldas, Antonio Dias); os que têm a música como elemento constitutivo (Hélio Oiticica, Tunga, Guto Lacaz, Marepe); aqueles cujo suporte de reprodução é o mesmo da música, como o long play (Waltercio Caldas, Cildo Meireles, Edilaine Cunha); sem falar de referências a compositores, instrumentistas e cantores (Nuno Ramos, Waltercio Caldas) ou de trabalhos que versam sobre o silêncio (Waltercio Caldas, Marcius Galan, Guto Lacaz, Edilaine Cunha), um dos elementos mais explorados pelas vanguardas musicais do século 20.

Contudo, em vez de reunir obras das artes visuais que contenham em si questões da música e vice-versa, “Vol.” propõe o desenvolvimento de um terreno teórico e prático comum às duas expressões artísticas, respeitando as especificidades de uma e outra. A começar pelas noções elementares do tempo e do espaço, usadas pelo pensamento clássico para distinguir as linguagens: as artes plásticas como artes espaciais e a música, junto com a literatura e o teatro, como uma das artes “a se desdobrar no tempo”. Nesta exposição, músicos e artistas apresentam imagens, sons, textos e ações que investigam, em conjunto, as possibilidades de alterar referências para a apreensão do espaço e do tempo.

Os trabalhos agrupados aqui têm em comum o processamento do fenômeno sonoro e do silêncio como matéria “concreta” ou como um “objeto sonoro”. A abreviatura de “volume” que dá título à mostra alude, portanto, não só à intensidade do som, como ao espaço que este corpo – com textura, quantidade e massa – ocupa. “Vol.” também se refere aos tomos de uma edição, por se constituir de uma série de apresentações musicais e de performances que complementam as peças dispostas dentro e fora do espaço da galeria.

Com a participação dos artistas:Amilcar Packer,Angela Detanico e Rafael Lain, Chelpa Ferro, Eloi Silvestre, Fabiano Marques, Fernando Iazzetta, Guto Lacaz, Laura Belém, Lia Chaia, Marssares, Mauricio Ayer, Nicolás Robbio, Patrícia Osses, Paulo Nenflídio, Paulo von Zuben, Pedro Perez, Renata Lucas, Ricardo Basbaum, Rodolfo Caesar, Sérgio Kafejian e Rogério Costa, Silvio Ferraz e Edson Ezequiel.