Exposies

Cadu - Manhã no Ano do Coelho

DE 31/05/2011 - 02/06/2011 A

 

Manhã no Ano do Coelho

(2011)

Manhã no Ano do Coelho, primeira individual de Cadu na Vermelho, apresenta um conjunto de seis novos trabalhos todos criados a partir de 2010. Com exceção de “Ixodidae” instalação que integrou a mostra “Convivências” organizada pela Fundação Iberê Camargo (RS), em 2010, todos os demais trabalhos ainda não foram apresentados publicamente.

Nascido em São Paulo (SP), em 1977, Cadu vive e trabalha no Rio de Janeiro. Suas obras abordam processos e sistemas radicais que em vários casos envolvem seu próprio corpo e suas rotinas diárias. Em Doze Meses (2005), por exemplo, o artista manipulou seu consumo de energia elétrica mensal durante um ano de forma a criar um arco no gráfico impresso na conta que sugerisse a sensação de perspectiva. O processo iniciou-se em abril de 2004 e terminou em abril de 2005. Irônico e delicado, Doze Meses revela a representação prosaica de um enorme esforço físico que transformou a rotina diária do artista durante um ano. Rotinas similares surgem nas obras que integram Manhã no Ano do Coelho.

Criada em parceria com o artista inglês Tim Knowles, Windcompass (2011) integra o projeto Weather Exchange (link abaixo) contemplado pelo programa de estímulo a produção colaborativa patrocinado pelo British Council e i-Dat (link abaixo), intitulado CO-OS (link abaixo). Impressas em papel de algodão, seis gravuras apresentam a medição eólica (velocidade e direção) colhida de hora em hora pelo aeroporto de Heathow, em Londres, durante todo o ano de 2010. O resultado é um aglomerado de setas com cores, direções e tamanhos correspondentes as variações eólicas e organizadas como um calendário [agradecimentos a Simon Lock].

Nantucket Island (2010-2011), série de desenhos a óleo sobre papel em grande e médio formatos, faz referência a ilha de Nantucket, local onde o navio Pequod saiu em busca da cachalote branca do livro “Moby Dick”, de Herman Melville. O título dá continuidade à série de desenhos feitos por Cadu, em 2009, intitulada Barbican (bairro histórico da cidade de Plymouth, Reino Unido) em que a relação entre litoral e continente é explorada pela representação de figura e fundo.

Para criar Ás de Espadas – Flotilha (2011), Cadu criou cinco modelos de avião que foram recortados a laser e montados com cartas de baralho. Há um modelo de avião para cada naipe e um para os coringas. Os aviões foram divididos em dois grupos e dispostos frente a frente em duas mesas de madeira. Já em Partitura (2010-2011), Cadu utiliza trens elétricos e seus vagões, garrafas, jarros, copos e outros utensílios e os dispõe ao longo dos trilhos do trem. O impacto de hastes projetadas dos vagões produz notas e os sons, uma composição.

Em Pégaso (2011), quatro pequenos mecanismos robóticos ligados a sensores de presença possuem em suas extremidades hastes semelhantes a dedos, conectadas a cachos feitos da crina de cavalos de corrida recolhidas no Jockey, do Rio de Janeiro. A peça é fixada à parede com o pelo dos animais e reage a aproximação do observador com movimentos semelhantes a carícias. O nome desta estrutura híbrida refere-se ao mito grego de Perseu, que cortou a cabeça da Medusa e arrastou seu sangue pelo mar da Etiópia, onde salvou e se casou com a princesa Andrômeda. Lá, o herói presenciou o surgimento de duas criaturas fantásticas: um imenso cavalo alado e o gigante Crisaor.

Ixodidae (2010), termo científico para carrapato, repete, de certa forma, a ação do parasita do qual empresta seu título. Na instalação, uma caixa de comando sensível à presença foi conectada a 12 marteletes elétricos que são ativados a partir da presença do observador. Dispostos pelo espaço expositivo, os marteletes quando ativados danificam as paredes e o chão de acordo com o número e tempo de permanência do observador no espaço expositivo [agradecimentos a Marcel Kowalski].

www.weatherexchange.net
www.i-dat.org
www.co-os.org