Exposies

Cripta

DE 25/07/2019 - 24/08/2019 A

 

(2019)

No dia 24 de Agosto, como encerramento da exposição Cripta, o grupo Depois do fim da arte irá exibir o conjunto de vídeos realizados durante o período do projeto: O Cru e o Cozido, Play Sem Conversa, Velozes, Furiosos e Malvados e Atrocidades Amenas - respectivamente, referentes aos filmes apresentados no cineclube neste ano; Touki Bouki, a Viagem da Hiena, de Bjibril Diop Mambéty (1973); Play, de Ruben Ostlund (2011); A Vida de Jesus, de Bruno Dumont (1997), e Os Zumbis de Sugar Hill, de Paul Maslansky (1974).

Em parceria com o grupo Vós que entrais, o Depois do fim da arte apresentará também a performance Curto-prazo, criada a partir do filme Relações de Classe, de Straub-Huillet (1984), também apresentado no cineclube. Todas as zines produzidas durante a exposição poderão ser adquiridas , em formas de kits, no bar Odebreja - organizado pelo grupo - que estará funcionando durante todo o período da tarde.

A programação consistirá em 2 ciclos de apresentações dos vídeos, intercalados pela performance. O primeiro ciclo começando às 12h00, até às 14h00; a performance das 14h30 às 15h30, e o segundo ciclo das 15h30 até às 17h00, encerrando o evento.
O grupo Depois do fim da arte foi criado em 2015 para investigar a posição do artista na contemporaneidade. Ele surgiu em decorrência de uma série de investigações/ experiências/ exposições iniciadas em 2001, primeiro com o nome de O museu do vazio e depois com o nome de Anarcademia, apresentadas em galerias e instituições de arte. Entre elas estão Quand les attitudes déforment les altitudes, no Forum d’Art Contemporain, em Sierre, Suíça, em 2001; Herd, na Bag Factory Artists’ Studios, em Joanesburgo, África do Sul, em 2004; Anarcademia, na 28a Bienal de São Paulo, em 2008 e na W139 em Amsterdam, Holanda, em 2013, e Subsessões - Avenida Paulista, no MASP em 2017.

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- O Cru e o Cozido (COR, 23', 2019)

Criando um ponto de contato com a Nouvelle Vague, o diretor de Touki Bouki (1973) utiliza técnicas características de movimentação de câmera e de montagem, em uma construção de narrativa não linear que alterna planos do horizonte às cenas que destacam os aspectos psicológicos dos personagens. O Cru e o Cozido traz uma proposta instalativa de exibição, onde a tela da sala do Cineclube é revestida pela bandeira da França. É sobre ela que será projetada a nova edição do filme e, a partir da divisão da tela em três partes, é criado um paralelismo entre as cenas e uma narrativa que transporta o espectador para um "nomadismo" visual.

- Play Sem Conversa (COR, 36', 2019)

Partindo de Play (2011), filme que apresenta uma reflexão controversa sobre a sociedade contemporânea e explorando de maneira perversa os limites entre uma narrativa preconceituosa e outra que denuncia tais preconceitos, Play sem conversa propõe a tensão dos conflitos raciais como uma imposição não apenas dos discursos verbais, mas da estrutura social do sensível e dos discursos artísticos - explicitando, desta maneira, escolhas formais feitas pelo diretor, Ruben Ostlund, para a construção de sua narrativa.

- Velozes, Furiosos e Malvados (COR, 27', 2019)

Velozes, furiosos e malvados apresenta uma nova edição do filme A Vida de Jesus (1997), evidenciando e potencializando aspectos discutidos pelo Depois do fim da arte no decorrer do processo, a partir de colagens de som e alterações de velocidade. Os procedimentos transformam a música original do filme, uma espécie de fanfarra tocada por uma banda militar, num som que é realocado para cenas que originalmente não tinham trilha. As cenas são aceleradas ou distendidas, contrapondo freneticidade e pasmeirice, potencializando a oscilação entre momentos de inatividade contemplativa e de terrível brutalidade, intensificada pelas paisagens inertes apresentadas em longos planos construídos milimetricamente pelo diretor Bruno Dumont.

- Atrocidades Amenas (COR, 21', 2019)

Partindo de Os zumbis de Sugar Hill como uma resposta Blaxploitation a James Bond em To Live and Let Die, que recupera as tradições caribenhas para o público afro-americano e, simultaneamente, reconhecendo sua própria participação na chave da “cultura como entretenimento”, o filme produzido pelo grupo de pesquisa Atrocidades amenas trabalha com os estereótipos e clichês do filme, explicitando algumas questões por meio da alteração da relação plano-contraplano e do entrecruzamento da "ficção" com a "realidade" atual.

Depois do fim da arte _ Cripta

Cripta é um projeto de ocupação da Sala Antonio, na Galeria Vermelho, proposto pelo grupo de pesquisa Depois do Fim da Arte, coordenado por Dora Longo Bahia, que investiga qual o papel do artista contemporâneo por meio de intervenções artísticas.

Cripta busca criar intersecções entre os conceitos e formas discutidos durante o primeiro semestre de 2019, em que foram lidos os textos Crítica da Razão Negra e Necropolítica, de Achille Mbembe, O Uso dos Corpos, de Giorgio Agamben, Hegel e o Haiti, de Susan Buck-Morss e exibidos os filmes Relações de Classe, de Straub-Huillet, Os zumbis de Sugar Hills, de Paul Maslansky, A viagem da hiena de Djibril Diop Mambéty, A vida de Jesus de Bruno Dumont e Playde Ruben Östlund. A proposta apresenta um trabalho em desenvolvimento que compreende os simulacros, os duplos e os zumbis como figuras cruciais da experiência social atual, desvelando os cruzamentos entre os filmes exibidos e os textos explorados, em uma resposta plástica às discussões teóricas estabelecidas no semestre anterior.

O título refere-se à frase “[...] o Negro é [...] o único de todos os humanos cuja carne foi transformada em coisa, e o espírito, em mercadoria - a cripta viva do capital” (Mbembe, Crítica da razão negra, p.21) e aponta para os interesses do grupo em discutir a relação da arte com questões sociais, econômicas, históricas e políticas.

Em Cripta, o Depois do fim da arte é formado por Anna Talebi, Ariédhine Carvalho, Bruno Ferreira, Cássia Aranha, Eloísa Almeida, Felipe Salem, Gabriel Ussami, Gabriel Xavier, Igor Vice, Ilê Sartuzi, Karol Pinto, Lahayda, Leandro Muniz, Marina Lima, Murillu, Nina Lins, Rosângela Pestana, Terenah, Thais Suguiyama, Thais Teotonio e Victor Maia

EXPOSIÇÃO
Dora Longo Bahia – Ka’rãi
FACHADA
Dora Longo Bahia – Fuga (Sujeito)
Sala Antonio:
Depois do fim da arte – Cripta

ABERTURA: 25 de Julho das 20h às 23h
PERÍODO: 25 de Julho a 24 de Agosto de 2019

LOCAL: Vermelho
Rua Minas Gerais, 350 _ 01244-010 _ São Paulo, SP
tel.: +55 11 3138 1520
www.galeriavermelho.com.br

MAIS INFORMAÇÕES: [email protected]
ENTRADA GRATUITA