Exposies

DE 30/09/2017 - 07/10/2017 A

 

Somos

Gabriel Zimbardi (2017)

A Galeria Vermelho apresenta Somos, a segunda individual de Iván Argote na galeria, de 05 de setembro a 07 de outubro de 2017. Paralelamente, a Sala Antonio de projeção exibe Reddishblue Memories (2017), também de Argote.

Nascido em 1983, em Bogotá, na Colômbia, Iván Argote instalou-se em Paris em 2006. Seu trabalho explora o comportamento humano, a forma como as pessoas se relacionam com o meio ambiente e nossos vínculos inexplicáveis com a história, tradição, arte, política e poder. Argote cria instalações públicas, vídeos, fotografias e esculturas. Os monumentos públicos e estatuários são temas recorrentes em seu trabalho, que questiona os mecanismos de poder e autoridade. Argote explora a cidade como um lugar de transformação e possibilidades.

Seus trabalhos já foram mostrados em diversas exposições internacionais como Future Generation Art Prize @ Venice, Palazzo Contarini Polignac, Veneza, 2017; Iván Argote: La Venganza del Amor (solo), Galerie Perrotin New York, Nova Iorque, 2017; Sírvete de mi, sírveme de ti (solo) Proyecto Amil, Lima, 2016; An Idea of Progress (solo), SPACE, London, 2016; Intersections, Cisneros Fountanals Foundation, Miami, 2015; Between the Pessimism of the Intellect and the Optimism of the Will, 5th Thessaloniki Biennale, Thessaloniki, 2015; La Estrategia (solo), Palais de Tokyo, Paris, 2013; Tectonic, Moving Museum, Dubai, 2013; Los irrespetuosos, Museo Carrilo Gil, México DF, 2013; 30ª Bienal de São Paulo, São Paulo, 2012, entre outras.

Iván Argote já foi premiado com a Bolsa CIFO - Cisneros Fontanals Foundation (2015), com o Audi Talents Award (2013) e com o Sam Art Projects Prize (2011). Em 2017 ficou entre os cinco finalistas do Future Generation Art Prize, do Pinchuk Art Centre, de Kiev, na Ukrânia.

Somos

Em seu filme As far as we could get [até onde poderíamos chegar, em tradução livre], Iván Argote cava um túnel imaginário entre a Indonésia e a Colômbia, respectivamente entre os municípios de Palembang e Neiva. As duas cidades situam-se em localidades diametralmente opostas em relação à Terra. Argote relacionou-se com habitantes de condições sociais similares nos dois países, e seu foco eram os jovens nascidos no mesmo dia da queda do Muro de Berlim. O artista desbota fronteiras geopolíticas e emocionais para retratar aqueles que floresceram sincronicamente ao fim de uma barreira física que dividia um mesmo povo separado por crenças, tradições, princípios e mitos. Sentimentos, Memória e História se circulam e aproximam as extremidades políticas da superfície terrestre.

Outra aproximação percebida no filme são os outdoors instalados pelo artista em ambas as cidades, anunciando o filme La Venganza Del Amor [A Vingança do Amor]. O filme anunciado dentro do filme pode parecer ominoso, mas é benfazejo, como uma resposta ao tempo, ao momento atual que é, em muitos lugares, de hostilidade em relação ao outro, ao estrangeiro ou ao diferente. A previsão da vingança do amor é que no entrechoque com as barreiras, o amor prevalecerá.

Esse embate entre o sensível e o pétreo é o compasso das demais obras que compõem a exposição, inclusive em confronto com o filme que, desdobrado em sete capítulos, faz acender e escurecer a sala de exposição em intervalos que marcam o ritmo da observação das peças – enquanto um capítulo é projetado, a sala se torna escura e vice-versa. No mesmo ambiente de As far as we could get, está um conjunto de esculturas formadas por placas de aço carbono perfuradas e cortadas a laser, tituladas Sombras. Cada escultura é formada por diferentes folhas de aço que sobrepõem diferentes dizeres, formando hinos a partir desse acúmulo. Frases que poderiam estar em cartazes de protesto se misturam com revelações afetivas, mais uma vez desbotando a linha entre sensibilidade e racionalidade, como em No Site is Innocent (2017), que mistura a frase do título [nenhum lugar é inocente] com um termo de afeto amoroso: My Dear [meu querido].

No térreo, Argote manipula a ideia de monumento enquanto obras construídas para a perpetuação memorialística de pessoa ou fato relevante a alguma comunidade. Em Arco, o artista desmonta um círculo de concreto de proporção imponente em seis partes que se apoiam pelas paredes e pelo chão, como se lhes faltassem bases que os pudessem definir como monumentos autossustentados. Os monumentos de Argote são rotos e celebram a interrupção de uma história circular que poderia se repetir tragicamente. Em Sírvete de mi, Sírveme de ti [Sirva-se de mim, sirvo-me de você] (2017), Iván Argote propõe outra “maneira” de monumento, constituído por uma grande fila de mãos humanas que se enlaçam como elos de uma corrente.

A ideia de monumento vem sendo questionada pela obra de Argote em diferentes peças como em Strengthlessness (2016). O título da escultura, em inglês, faz referência a um estado de falta de poder, de impotência, e mostra um obelisco frouxo que, amolecido, apoia-se no chão.

Mais recentemente, Argote apresentou, em 2017, na exposição Future Generation Art Prize @ Venice, o monumento Sweet Potato [Batata doce]. Essa grande escultura ergue a batata ao estado de ícone. O vegetal, supostamente, cruzou os mares já em 700 d.C. quando saiu da foz do rio Orinoco, na Venezuela, até a Polinésia, para ser cultivado e comido desde então e, eventualmente testemunhando um exemplo de uma incorporação cultural bem-sucedida. Apresentada como um meteorito de ouro, a batata doce de Argote questiona a quem ou ao que servem os monumentos na contemporaneidade.

Reddishblue Memories

Reddishblue Memories [Memórias azul-avermelhadas], de Iván Argote, utiliza memórias afetivas do artista como parte de um projeto de pesquisa e especulação em curso com base em um rumor associado à história da Kodak Company, de George Eastman, e sua mudança do filme Kodachrome para o Ektachrome. A troca foi alegadamente feita por razões ideológicas: no final da década de 1960, a companhia percebeu que as fotos feitas com Kodachrome tornavam-se avermelhadas com o passar do tempo e, no contexto da Guerra Fria, decidiu que os arquivos dos Estados Unidos não poderiam acabar com a cor do inimigo e desenvolveram o processo Ektachrome, em que as imagens acabam se tornando azuladas.

EXPOSIÇÃO:
Iván Argote – Somos (Salas 1, 2 e Fachada)

FILME:
Iván Argote – Reddishblue Memories (Sala Antonio de projeção) – 11’24’’

ABERTURA: 05 de setembro às 20h
PERÍODO: 05 de setembro a 07 de outubro de 2017

LOCAL: Vermelho
Rua Minas Gerais, 350 _ 01244-010 _ São Paulo, SP
tel.: +55 11 3138 1520
www.galeriavermelho.com.br

*A exposição conta com o apoio da Epson, colaboradora da Vermelho. Além de fornecer os equipamentos de projeção da Sala Antonio, o cinema da Vermelho, a Epson forneceu equipamentos de ponta para a elaborada videoinstalação As far as we could get, de Iván Argote. Com luminosidade de 8700 lumens, resolução WUXGA e contraste 15.000:1, os projetores PRO Z9870UNL são impressionantemente versáteis para instalação profissional, contando com grande flexibilidade de ângulo de instalação, deslocamento da lente para posicionamento descentrado e uma ampla quantidade de opções de calibração, com conectividade 3G-SDI e HDBaseT.