Exposies

27 rue de Fleurus

DE 06/06/2017 - 01/07/2017 A

 

(2017)

Na série 27 rue de Fleurus, Angela Detanico e Rafael Lain utilizam o sistema Cúbica, desenvolvido por eles, para reescrever poemas do livro Tender Buttons, de Gertrude Stein. Os artista então aplicaram manchas cromáticas às composições a partir de pinturas da coleção de arte de Stein, cuja residência ficava no número 27 da rua Fleurus, em Paris.

A prosa de Gertrude Stein surge, no início do séc. XX, a partir de um denso diálogo com o cubismo de Cézanne e Picasso - dois dos artistas mais presentes em sua coleção. Como escreveu uma vez o crítico James R. Mellow, “A residência Stein em Paris era uma Meca para os modernos. A atração principal era a coleção de óleos e aquarelas de Cézanne, os primeiros quadros de Matisse e Picasso, as pinturas de Renoir, Manet, Gauguin e Toulouse-Lautrec, que ela e Leo (seu irmão) tiveram os fundos e a predição para comprar. As paredes de seu ateliê tinham penduradas até o teto pinturas agora famosas; as portas duplas da sala de jantar eram forradas de esboços de Picasso. Nas primeiras décadas do século, centenas de visitantes se reuniam para a exibição da arte de vanguarda: muitos iam para zombar, mas vários iam embora convertidos. Era uma cena brilhante - e histórica. Para todos os efeitos, Leo e Gertrude Stein tinham inaugurado na 27 rue de Fleurus, o primeiro museu de arte moderna”.

Angela Detanico e Rafal Lain vêm desenvolvendo uma série de alfabetos, desde o inicio dos anos 2000, que aliam o hibridismo entre design e arte que enfrentam em sua produção, com tradições como a da poesia concreta, que buscava dar forma à palavra. Há, também, um jogo com a própria arte contemporânea nessa produção; como escreveu a critica e curadora Lisette Lagnado: “o que não é usualmente pedagógico é estimular a vontade do ‘ato de decifrar’; é desviar a relação tradicional significante/significado; e, de quebra, oferecer uma forma de pensar uma realidade para a arte na qual a participação (mental) do público é da maior importância para o trabalho não soçobrar na forma vazia e tautológica”.