Exposies

Arquitetura da insônia

DE 18/04/2017 - 20/05/2017 A

 

(2017)

Arquitetura da insônia
Depoimento de Nicolás Robbio, 2017

A insônia poderia definir-se como a falta anormal de sono e a dificuldade para conciliá-lo que se sofre no momento em que corresponde ao dormir.

Na antiguidade, a insônia era considerada uma perturbação pela presença de fantasmas ou de espíritos, que vinham com problemas, ou para avisar-nos de futuros problemas. Assim como para os gregos, Morfeu ou Morpheus - o filho de Hipnos ou Hypnos, o deus do sono – que tinha o poder de entrar no sono dos mortais para entregar mensagens dos deuses.

Na era moderna, os fantasmas tinham sido localizados em nosso inconsciente. A ideia de uma arquitetura que se constrói de fantasmas e de problemáticas não resolvidas em nosso inconsciente, se transforma em uma metáfora sobre o que não conseguimos entender, sobre o que não podemos aceitar para poder descansar, sobre o que não se entende de forma consciente, mas que nosso inconsciente detecta. Uma arquitetura construída por fraudes, por mentiras, por enganos e por forças em que poderes constroem relatos e aonde as formas vão construindo um imaginário que não se encaixa nos acontecimentos. Erros onde a história não fecha, onde o inconsciente não descansa e o consciente se mantém acordado.

No dia 22 de novembro de 1963, J. F. Kennedy, o 35º presidente dos Estados Unidos, foi morto a tiros em Dallas, Texas. Muitas teorias conspirativas desenhavam com cautela esta história e tantas outras, que construíram o imaginário de uma América e de um mundo como um todo.

“O homem do guarda-chuva” é uma das figuras ligadas a uma grande farsa em que não se escapam os feitos e por onde se articulam à impossibilidade de uma compreensão total da realidade através da distração.

No vídeo Keep Right, diagramas, recortes da história americana, imagens das últimas ditaduras na América Latina e estudos feitos a partir de imagens de acesso público, baixadas da Internet, criam desvios, bifurcações e relações na construção do relato.

Em Prefiro teu carinho mais que a tua inteligência nossa presença ativa um sensor que acende uma luz que, por consequência, ativa outro mecanismo sensível, movido pela energia dessa mesma luz que a nossa presença ativou. Toda ação guarda uma consequência. Não existe o “primeiro movimento” nem o “último movimento”. Não existe a possibilidade de medir nunca as consequências projetadas no tempo. Isto nos faz parte e responsáveis.

Na instalação Modelos para um conto americano, podemos ver uma quantidade de silhuetas de monumentos históricos de modelos de uma “América”. Modelos de sociedade, de igualdade de princípios e de liberdade se apresentam em forma de fantoches amontoados, como que houvessem sido tirados de uma procissão paroquial, mostrando suas estruturas de fundo, sua precariedade e sua intenção adormecida; como se a qualquer momento pudessem acordar e ser novamente usados e manipulados para contar histórias passadas ou histórias que não fazem parte da História.

No trabalho Memórias, que evoca uma caixa de pandora, um osso contém outro osso menor em seu interior, que contém outro menor, que contém outro menor ainda. Esta sequência construída dentro da lógica do improvável transforma este elemento osso em uma metáfora. O osso carrega em si uma memória de um corpo.

Em Qualquer semelhança é mera coincidência, a frase de William Burroughs “O vírus consegue entrar através da fraude e manter-se através da força” é projetada no chão e impedida de ser lida em sua totalidade à primeira vista. Dois planos perpendiculares ao chão recortam as palavras “fraude” e “força” criando um segundo plano de compreensão.

Em Desvios, um vídeo em loop em grande escala, apresenta uma sequência de lâmpadas tubulares fluorescentes acendendo, iluminando o espaço e sendo anuladas de forma abrupta por disparos. É um ciclo onde o acender, o pulsar da luz e sua interrupção representam o tempo.

Em Uma falsa sensação de tranquilidade, uma imagem fora de foco é projetada em uma parede. Uma lupa, que se localiza entre o projetor e a parede, ajusta esta imagem que, à simples vista, parece estar detida, mas seu mínimo movimento nos chama à atenção. Remetendo à teoria de pêndulo de Foucault, percebe-se que mesmo que tudo esteja supostamente detido, sempre estamos em movimento.